Serviço Nacional de Saúde (SNS) – Património de todos!

Realizou-se o 1º Congresso do Serviço Nacional de Saúde (SNS), nos dias 27 e 28 de Setembro, sob o lema SNS: Património de todos!

Participei, como não podia deixar de ser, por imperativo de cidadania, por considerar vital a sua sustentabilidade e desenvolvimento, e para isso, a criação de uma consciência nacional da riqueza pública, social e económica que ele constitui.

Como tive ocasião de afirmar em pequena entrevista, o SNS é pré-pago por todos os portugueses. E acrescento, não pertence a este, nem a qualquer governo. Está consagrado constitucionalmente, é um avanço civilizacional, que novos e velhos têm de saber defender, conhecendo, discutindo e influenciando o respetivo orçamento e opções.

Este 1º Congresso do SNS foi claramente um primeiro passo, muito importante e indispensável, nessa direção. Ao mesmo tempo, foi fácil verificar que está por fazer o mais difícil e o mais importante – ganhar e mobilizar para este movimento, os cidadãos que não são profissionais de saúde.

Uma das formas e dos meios de contribuir para esse objetivo é, na minha opinião, a criação de uma rede de Ligas de Amigos, a par das próprias USF, materializando e assumindo um papel ativo em relação aos problemas e dificuldades, conhecendo as atividades e serviços das USF, participando nos respetivos Planos de Acção.


USF – uma nova realidade da proximidade e qualidade do SNS

Participei neste congresso, também como Presidente da Direção da USF-AN, que criou uma parceria com a Fundação do SNS. Não tenho qualquer dúvida que USF e SNS têm sinergias mútuas, abraçam os mesmos valores e princípios e que só podem progredir de mãos dadas.

Nos debates deste congresso surgiram opiniões diferentes, conviveram pessoas com diferentes olhares, de forma aberta e democrática. Foi evidente que existem contradições entre profissionais de saúde, particularmente médicos, de USF e de UCSP.

A propósito da intervenção de uma colega, que se referiu a desigualdades existentes, fiz alguns comentários, que deixo registados:

– Portugal tem um problema antigo de menor investimento e menores recursos nos CSP (Cuidados de Saúde Primários), quando comparados com o nível de cuidados hospitalares;

– Portugal tem, mais do que um problema de falta de médicos de família, um problema de falta de equipas de saúde, que incluem também enfermeiros, secretários clínicos e outros profissionais de saúde;

– Com a Reforma dos CSP e a criação das USF, mais de 600 000 portugueses, que antes não tinham, ganharam uma equipa de saúde, com autonomia e responsabilidade;

– Assim, o problema atual não é a Reforma dos CSP e as USF, o problema é a desaceleração e a subversão de que estão a ser alvo, nos últimos anos, com a consequente falta de oportunidades e de acesso, que travam a generalização desta inovador modelo organizacional.

Os avanços obtidos com as USF, nos indicadores de acesso, de desempenho, de eficiência e de satisfação dos cidadãos têm contribuído decisivamente para que os cidadãos confiem no Serviço Nacional de Saúde e o assumam como seu património.

As USF foram e são um dos factores mais importantes para a concretização da proximidade e qualidade do SNS.

Bernardo Vilas Boas

30 de Setembro de 2013

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+

Login

Welcome! Login in to your account

Remember me Lost your password?

Don't have account. Register

Lost Password

Register