Guia com recomendações para retoma da atividade assistencial presencial

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A USF-AN está consciente de todas as dificuldades e constrangimentos na adaptação ao novo desafio, imposto pela COVID-19 aos profissionais de saúde e a toda a população.

Por isso, elaborou o presente guia com algumas recomendações, de modo a facilitar o desejável regresso à atividade normal das USF. Espera-se que este seja progressivo, ponderado, consciente e seguro. Realçamos ainda que as devidas recomendações deverão ser adaptadas às realidades e até necessidades locais e regionais.

Consideramos que a segurança dos profissionais é fundamental, pelo que relembramos que um dos grandes problemas do vírus SARS-COV2 são as pessoas infetadas assintomáticas, que estão espalhados pela população, sem a noção de que são portadoras do vírus e contagiosas, incluindo os próprios profissionais. Por este motivo, a USF-AN recomenda que todos os profissionais mantenham o uso adequado do EPI em toda a atividade assistencial presencial.

Abaixo deixamos algumas recomendações para o período de regresso à normalidade:

i. Otimizar circuitos dos utentes

– Manter circuitos distintos dos utentes e definir espaços próprios para encaminhamento e observação dos utentes, de forma a minimizar o contágio;

– Utentes com sintomatologia respiratória suspeita de COVID-19, com encaminhamento e observação, exclusivamente, nas ADC;

– Sempre que possível, salas de espera divididas ou autónomas para resposta a agendamentos de Consulta aguda (CA), Consulta Programada e Saúde Infantil;

– Remover todo o material desnecessário dos consultórios, para evitar a contaminação e facilitar a higienização;

– Enviar email a todos(as) os(as) utentes explicitando todas as mudanças e alterações, tornando-o assim parte integrante da nova organização;

– Utentes em contexto de Consulta Aguda (CA), sem sintomas respiratórios, devem ser observados na Unidade Funcional. O profissional, perante suspeita de COVID-19, que só tenha sido identificado no decorrer da consulta, por ex. pelo relato de contacto próximo com doentes COVID-19 ou presença de algum sintoma sugestivo, que não tenha sido valorizado pelo utente, deve solicitar a higienização da sala e trocar de EPI, cumprindo todos os procedimentos de remoção e triagem de resíduos. Por este motivo, as salas de observação de utentes em CA, devem ser definidas otimizando-se, assim, as barreiras físicas de contágio.

 ii. Horários

– As equipas devem reestruturar os horários, com a devida flexibilidade, de modo a otimizar a gestão do espaço físico. Por exemplo: um esquema de 6h/dia na UF, dividindo as equipas por “turnos fixos” diminuindo a aglomeração, para minimizar risco de contágio e que pode ser complementado por “x” tempo dia em teletrabalho, para reduzir a afluência dos utentes no mesmo período;

– Programação das consultas no mínimo de 30 em 30 minutos, de modo a garantir o atendimento seguro e evitar atrasos e aumento do tempo dos utentes na sala de espera;

– Na troca de equipas, as Assistentes Operacionais/Equipas Limpeza devem higienizar toda a UF, incluído a sala de espera, WC’s, gabinetes previamente ocupados pelos profissionais em trabalho assistencial presencial ou não presencial e equipamentos, tais como: telefone, teclado do computador, impressora, secretária, cadeira etc.. Ao longo do dia, deve-se aumentar a frequência de limpeza, nas áreas de toque, como balcões, corrimãos das escadas, manípulos das portas, botões dos elevadores, quiosque eletrónico, mediante orientações e planos elaborados pelas equipas do PPCIRA e/ou USP;

iii. Reuniões/Sessões

– As equipas devem privilegiar videoconferência, quando estritamente necessário reunir em modo presencial, salvaguardando a distância de 2 metros entre os presentes e recorrer ao uso de máscara;

– As equipas devem garantir a higienização dos espaços e equipamentos utilizados quando recorrem a reuniões presenciais;

– Manter a distância social entre profissionais no espaço da UF (corredores, estacionamento, sala de “refeições”, etc.).

iv. Sugestões para o regresso da atividade programada (quando existir segurança, mediante evolução do decurso da pandemia) para além dos serviços mínimos que sempre estiveram assegurados

– No regresso à atividade programada, devem os profissionais continuar a privilegiar a articulação/contacto com os utentes por via telefónica e/ou e-mail, promovendo ativamente os contactos indiretos e qualificando diariamente este tipo de atendimento;

– As equipas devem identificar estratégias que garantam o respeito rigoroso do horário da marcação, sem atrasos no atendimento presencial, recorrendo, como por exemplo à semelhança das ARS do Norte e Algarve, ao envio de SMS ou, caso não seja possível, ao envio de e-mail ou contacto telefónico, recordando a hora de marcação, evitando aglomerados de pessoas nas salas de espera;

– As equipas devem iniciar um plano de vigilância em domicílio dos mais idosos, que continuarão a ter critérios mais restritivos de deslocações. Nesta atividade é recomendado o uso correto de EPI por parte dos profissionais para evitar a contaminação dos mais vulneráveis, bem como o uso de máscara pelos(as) utente(s);

– Todas as solicitações de marcação de consulta de Saúde de Adulto, não agudo, deverão ter contacto telefone prévio por parte do MF (médico(a) de família) de modo a aferir a necessidade de consulta presencial;

– A equipas devem, nos grupos vulneráveis e de risco, definir prioridades, tais como descontrolo da patologia e/ou ausência de consulta no ano corrente, passando, proactivamente, a convocar para consulta. Note-se que, apesar da situação de exceção, a condição de vulnerabilidade da criança não permite adiamento das consultas de vigilância e do PNV, priorizando as seguintes consultas: 1ºano de vida da criança, entre os 18 meses e os 24 meses e 5 anos. Na gravidez a vacinação contra a tosse convulsa não deve ser adiada para além das 28 a 32 semanas de gestação e no que toca à vigilância presencial não deverá faltar a primeira consulta de gravidez, na transição de trimestre da gravidez, na referenciação para a consulta hospitalar e na avaliação de intercorrências na gravidez em qualquer idade gestacional;

– O atendimento do utente na UF deve ser realizado pelo profissional que se encontre melhor colocado para dar a resposta mais abrangente, de acordo com as solicitações, deste modo evitando a permanência do utente na UF para além do estritamente necessário, privilegiando o menor número de contactos possível. Assim, o utente poderá ser observado apenas pelo médico família ou apenas pelo enfermeiro de família, caso estritamente necessário consulta em simultâneo/conexa.

ADAPTAÇÃO DAS EQUIPAS, RECURSOS E DINÂMICAS

Tendo em conta que esta pandemia obrigou a novas soluções, dinâmicas, organização e ofertas de serviços de saúde, alguns totalmente diferentes dos que tínhamos até ao início de março, a USF-AN considera que o Ministério da Saúde e os seus serviços têm um importante papel no ajustamento dos mesmos.

Por esse motivo, a USF-AN vai reivindicar junto do Ministério da Saúde e suas estruturas:

– O acesso a rede VPN para possibilidade de teletrabalho de modo a permitir o desfasamento das equipas;

– Ajustar os indicadores à nova realidade, onde seja contemplada a atividade não presencial nas atividades específicas;

– Avaliar, periodicamente, os profissionais das UF com testes de diagnóstico RT-PCR para identificar profissionais contaminados e dessa forma evitar que se tornem, ele próprios, de forma involuntária, agentes de transmissão da COVID-19;

– Aquisição de Webcam para as UF de modo a possibilitar as videochamadas e, ainda, adequação da largura de banda para as novas estratégias e instrumentos de comunicação com o Utente;

– Reforçar a capacidade e qualidade das centrais e linhas telefónicas;

– Negociar com as operadoras a manutenção da oferta de dados e chamadas;

– Alargar o envio de SMS para os utentes com hora e dia da marcação das consultas a todo o país, à semelhança do que já se faz, com resultados muito positivos, nas ARS do Norte e Algarve;

– Retoma progressiva dos rastreios do Cancro da Mama, RCCU, RCCR e Retinopatia Diabética.  Ponderar disseminação de práticas de rastreio populacional centralizado, com material de colheita/credencial para MCDT e informação por correio e/ou email;

– Investimento imediato na contratação de profissionais de segurança e limpeza/higiene como profissionais essenciais para garantir a segurança de todos;

– Regulamentar a possibilidade da realização simultânea de horário presencial com teletrabalho.

Recordamos igualmente a capacidade dos profissionais para com a sua autonomia organizativa conseguirem adaptar as medidas/sugestões expostas às suas situações particulares.

Estamos conscientes que esta pandemia veio evidenciar todas as dificuldades e os constrangimentos que a USF-AN, por diversas vezes, constatou e divulgou após as visitas realizadas pelas várias Unidades do país. Dificuldades que com certeza tornarão mais complexa a retoma, embora progressiva, da normalidade em condições de segurança.

Falamos, por exemplo, de condicionamentos arquitetónicos que dificultam a criação de circuitos independentes, dificuldades em material de proteção, como já havia grandes contrariedades para outro tipo de material, obstáculos burocráticos em estabelecer teletrabalho e comunicação para o exterior por falta quer de hardware quer de software que permita esta nova forma de trabalho.

Esperamos que esta pandemia sirva para a consciencialização da importância destes fatores numa prática que se quer segura e eficaz.

Como não podia deixar de ser, é imperativo que salientemos a capacidade e espírito de missão dos profissionais de saúde que, com os constrangimentos apontados diariamente, fazem o seu melhor numa atitude heroica de adaptação às circunstâncias e desafios de diversos contextos. Esperemos, assim, que no final e apesar de tudo, consigamos aprender algo com esta pandemia com o único propósito de prestarmos mais e melhores cuidados de saúde, em segurança.

A Direção

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