Entrevista a André Biscaia – Presidente da Comissão Científica do 5ç Encontro Nacional das USF

– A quem se dirige e qual o principal objetivo do 5º Encontro Nacional das USF: Saúde – Capital do Futuro?

O 5º Encontro Nacional das Unidades de Saúde Familiar, organizado pela USF-AN, dirige-se a todos os interessados no desenvolvimento dos serviços de saúde em Portugal e que querem debater os melhores caminhos para que a Saúde em Portugal continue a ser um setor de excelência para os portugueses. Dirige-se, portanto, a todos: cidadãos utilizadores ou não de serviços de saúde públicos, profissionais de saúde, gestores, jornalistas, políticos…

“Saúde – Capital do Futuro” foi o mote para a escolha dos temas para uma grande reflexão que possa apontar opções viáveis para o desenvolvimento rumo à Saúde. Acreditamos que uma sociedade que se quer desenvolvida, equitativa e produtiva é uma sociedade fundada numa população saudável, solidária, informada, aberta, que consulta a inteligência coletiva para fazer as melhores escolhas e que acredita que pode e consegue fazer o que é necessário no sentido de optimizar a vida de todos.


 

– Que temas irá abordar nas suas sessões plenárias e de debate?

Considerámos que a aposta da felicidade, da positividade e do humor como contraponto para a amargura, a desesperança e a tristeza que se querem impor nos dias de hoje era a chave para que se cumpra o lema deste 5º Encontro Nacional das USF: Saúde – Capital do Futuro.

O primeiro dia tem o grande debate de abertura do Encontro “Felicidade e Saúde” dedicado à discussão do conceito da Felicidade, não só a sua conceção individual e subjetiva, mas também a Felicidade Pública e das organizações. Será uma sessão estruturante em relação a todo o Encontro.

O grande tema do segundo dia é a Crise – crise económica e social que Portugal e a Europa vivem nos dias de hoje. Não quisemos contornar a realidade em que vivemos, quisemos antes enfrentá-la, discutindo as soluções locais e dos serviços de saúde para mitigar a crise, preservar o essencial para garantir a excelência e promover o desenvolvimento para um futuro cada vez melhor. Os cuidados de saúde são um direito social inalienável.

O terceiro dia é dedicado ainda mais às soluções, analisando as USF como um modelo positivo para o futuro. Revisitamos os últimos 8 anos dos Cuidados de Saúde Primários portugueses, explicitamos como as USF fornecem diariamente serviços de qualidade e eficientes a 5,1 milhões de portugueses e recordamos a história de uma das mais bem sucedidas reformas dos serviços públicos das últimas décadas em Portugal: a implementação das USF. Vai ser disponibilizada uma série de estudos que reforçam o que as USF são: um modelo de gestão pública centrado no cidadão e na micro-eficiência e assente num elevado grau de participação, transparência, discriminação positiva e responsabilização nas decisões.

Será discutido, ainda, neste dia o BI das USF – um dispositivo de gestão do conhecimento que permite caracterizar as USF e qualificar o seu desempenho de forma integradora e multidimensional.

Queremos, ainda, que esta discussão extravase os limites da Saúde e que o modelo USF chegue a outras áreas sociais, dinamizando uma reestruturação generalizada dos serviços públicos em Portugal, com ganhos para o País e para todos os cidadãos.

 

– Que novidades podemos esperar deste congresso?

Temos preletores de referência nos temas escolhidos para as várias sessões e nomes que têm preenchido o dia-a-dia nacional.

Para além dos três grandes temas já descritos vamos ter sessões que abordam matérias pouco visíveis noutros congressos na área da saúde como Lei e Deontologia no trabalho de uma USF, a Investigação nas USF, a Saúde dos Profissionais, a Gestão do Risco, a Saúde Narrativa, a Escrita Criativa, Como constituir uma Liga de Amigos, Técnicas de relaxamento ou a Multipatologia como paradigma dos Cuidados de Saúde Primários; teremos temas fundamentais no dia-a-dia das USF como os Cuidados de fim de vida, Atualização em Asma e DPOC, a Gestão do tempo, Dor Miofascial, Úlceras de Perna, Tratamento de feridas, Insulinoterapia, a Acreditação nas USF, Comunicação para secretários clínicos, o Trabalho em equipa, a Auditoria Interna ou a Organização de consultas do dia; e outros temas da atualidade da Saúde como o Enfermeiro de Família e a Contratualização.

Teremos também um espaço para as USF apresentarem o que de mais inovador fazem – o “Acontece” – e um espaço de utentes em que estes, na primeira pessoa, relatam as suas experiência nas USF.

Relevo, também, o lançamento de um projeto da USF-AN com várias parcerias: as UF Sentinela. A ideia é criar um dispositivo de aprendizagem e de apoio à decisão orientada para o desenvolvimento dos cuidados de saúde primários (CSP). Este dispositivo vai assentar numa rede de unidades funcionais dos CSP, USF ou não, voluntárias e que vão interagir com um enquadramento da USF-AN para, entre outros objectivos, utilizar os dados que geram de uma forma mais produtiva e eficiente, mostrar resultados e optimizar a actividade.

Outra das grandes novidades é a transmissão via net de algumas sessões em direto e com acesso livre (estará disponível no site da USF-AN – www.usf-an.pt).


– Considera essencial existirem este tipo de iniciativas no sentido de contribuírem para o desenvolvimento da ciência?

Um dos grandes teóricos das organizações de aprendizagem – Humberto Mariotti – dizia que, para se aprender, eram necessários amplos espaços de conversação para além das rotinas de aprendizagem. Encontros como este são um desses amplos espaços de conversação, de partilha, de aprendizagem conjunta, de descoberta, de desenvolvimento, de evolução … não só da Ciência mas da Sociedade.


– Que mensagens pretendem que os participantes retenham deste encontro?

Três mensagens fortes.

A USF-AN (Associação Nacional de USF) está apostada no desenvolvimento dos cuidados de saúde em Portugal com cuidados de saúde primários robustos e sustentáveis num sistema de saúde de excelência, eficiente, solidário e para todos.

A crise que vivemos tem de ser enfrentada como um desafio que vamos ultrapassar como o fizemos no passado em outras situações difíceis, encontrando o melhor de cada um de nós, estando juntos, melhorando a vida de todos.

As USF são uma utopia que conseguimos cumprir e que valem todo o esforço que nela investirmos para o desenvolvimento dos cuidados de saúde ao serviço dos portugueses.

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