41 anos de SNS! Hoje, mais que nunca, merece o nosso olhar atento

Hoje, 15 de setembro de 2020, comemoramos 41 anos de que o direito à proteção da saúde, à prestação de cuidados de saúde globais e o acesso a todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica e social, é condição adquirida em Portugal. Comemoramos o SNS!

A opção por um modelo de Serviço Nacional de Saúde (SNS) público e universal surge como a melhor forma de garantir os valores do acesso, da equidade e da solidariedade social.

No ano em que faz 41 anos, o SNS enfrentou e ainda enfrenta, provavelmente, um dos seus maiores desafios.

Temos evoluído de forma muito significativa ao longo dos últimos anos, com progressos claros ao nível da eficiência, do acesso, da qualidade e da sustentabilidade.

Ainda agora, com a pandemia COVID-19, confirmamos o importante papel do SNS e dos Cuidados de Saúde Primários no que respeita ao acesso e proximidade com a população.

Ao nível dos cuidados primários, as USF situam-se nessa proximidade e têm um papel fundamental na gestão contínua da doença crónica, na resposta atempada à doença aguda e também na promoção da saúde e prevenção da doença. Neste campo, não há dúvidas de que as USF têm demonstrado a resposta mais adequada do SNS público.

Hoje, mesmo com um momento atípico na saúde que vivemos, temos no SNS inúmeras atividades desenvolvidas, contudo ainda há muito para se fazer e implementar.

Na área do acesso a uma equipa de saúde familiar, ainda hoje verificamos que existem portugueses sem médico de família. Este problema de flutuação de utentes sem médico vai infelizmente manter-se enquanto o governo não apostar na criação de novas USF e numa gestão eficiente de recursos humanos.

Nos sistemas de informação, continuamos na era das múltiplas aplicações informáticas. Exige-se o desenvolvimento estrutural de um sistema informático com termos de referência validados por todos os intervenientes. Apostemos na história clínica única do utente e na comunicação entre os diferentes níveis de cuidados, de forma a facilitar a vida aos profissionais e o percurso do utente no SNS.

Nos recursos humanos, urge apostar num planeamento estratégico centrado nas necessidades dos cidadãos a curto, médio e longo prazo, apostando em equipas multiprofissionais. O capital humano constitui sempre o valor maior em qualquer organização, pelo que deverá ser permanentemente considerado. Necessitamos de mais médicos de família, enfermeiros de família, secretários clínicos, assistentes operacionais e outros profissionais de saúde, como médicos dentistas, nutricionistas, psicólogos clínicos, entre outros.

Além disso, necessitamos de melhorar qualitativamente a articulação entre os hospitais, os centros de saúde e a comunidade, fomentando um novo modelo colaborativo.

Mesmo assim, com olhar atento e no futuro, temos o dever de comemorar o SNS, pois o percurso percorrido garantiu-nos os fundamentos necessários para construir de um SNS de excelência, um SNS de qualidade e para todos.

Esta nossa homenagem ao SNS não poderia acabar sem uma calorosa saudação e sincero agradecimento a todos os profissionais de saúde, que são o nosso SNS!

Sejamos sempre capazes de alinhar sinergias em prol da saúde dos portugueses.

A Direção

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