Webinar: CSP – Prioridade das prioridades de investimento | Fundação SNS

O Presidente da Direção, Diogo Urjais, participou, no dia 28 de janeiro, no webinar organizado pela Fundação para a saúde – SNS com o tema “Redes de proximidade, cuidados de saúde primários e integração de cuidados centrada na pessoa – Prioridade das prioridades de investimento”. Esta sessão contou com a presença de outras organizações.

Nas suas intervenções, Diogo Urjais afirmou que a pandemia aumentou a pressão sobre os CSP, tornando evidentes várias fragilidades (muitas das quais conhecidas), e gerou grande redução de atos que só podem ser prestados presencialmente – basta olhar para o IDG das unidades.

Por esse motivo, a otimização da produtividade dos profissionais clínicos que já integram as equipas, para recuperação de atividade em atraso e níveis de performance anteriores, requerem investimento em infraestrutura, serviços e recursos humanos.

Posto isto, a USF-AN defende, desde longa data:

  1. Uma aposta significativa no reforço do secretariado clínico, por exemplo, libertaria os restantes profissionais de muitos atos burocráticos – esta deve ser acompanhada por um SIMPLEX de muitos processos na saúde, mas também áreas como a Segurança Social que é importante para reforçar a resposta aos contactos por telefone e email.
  2. A necessidade de um forte reforço na contratação de assistentes sociais, que permitiria reduzir muitas consultas por motivos não clínicos e oferecer respostas mais eficazes e céleres para os problemas na sua génese. Poderia ser estudado o modelo da prescrição social e implementado projetos piloto (apenas sustentável mediante a contratação de profissionais).
  3. Um forte reforço na contratação de psicólogos clínicos, que permitiria oferecer uma resposta mais adequada e eficiente aos problemas de saúde mental mais frequentes – depressão e ansiedade ligeiras a moderadas. A título de exemplo, o NHS Britânico (nas orientações NICE) enumeram esta medida como custo eficiente e preferível como primeira linha de tratamento (vs introdução de fármacos). Poderíamos também dar importantes contributos nas áreas de cessação tabágica, do álcool e mudança de comportamentos (ex.: prática de atividade física regular e dieta saudável).
  4. Um necessário reforço na contratação das outras profissões da saúde, nomeadamente de médicos dentistas e higienistas orais. A saúde oral é fraca e a resposta no SNS é sobejamente insuficiente.
  5. A necessidade de simplificar e agilizar os processos de contratação e mobilidade de profissionais.
  6. Uma aposta na formação profissional contínua, quer ministrada pelas ARS, como pela simplificação e efetiva aplicação dos incentivos já conquistados pelas equipas das UF. Aqui não esquecer o reforço da capacitação e treino formal de competências de gestão e liderança, para todos os profissionais em posições de chefias.
  7. A necessidade de aquisição de centrais telefónicas para possibilitar uma capacidade de resposta a contactos indiretos minimamente adequada (isto considerando que o email será um meio frequentemente menos procurado por idosos, que tendencialmente mais necessitam de cuidados). Esta medida é insuficiente sem reforço do secretariado clínico obviamente.
  8. A melhoria dos sistemas AVAC das unidades – esta necessidade de ventilação eficaz é claramente percetível com a atual pandemia de vírus respiratório, mas era já percetível no contexto de TODA. No que se refere à climatização, é notória a necessidade em contexto de temperaturas de Inverno/Verão, mas também em consultas particulares, como nas de recém nascidos.
  9. A urgente reabilitação ou construção de novas infraestruturas para as UF. Subsistem muitas unidades que funcionam em edifícios residenciais, sem condições adequadas à higienização, distanciamento social, ventilação dos gabinetes, acesso a pessoas com limitações de mobilidade, assim como ao aumento da capacidade resolutiva, de contratação e compra dos ACES – muitas vezes é impossível uma resposta em tempo útil pela morosidade da cadeia hierárquica e características dos concursos.
  10. O cumprimento do pagamento dos suplementos previstos na lei, como forma de atrair e reter profissionais competentes nestes cargos, atualmente pouco atrativos em termos de responsabilidade, complexidade, carga laboral e níveis remuneratórios.
  11. A necessidade de reforçar os órgãos de gestão intermédias (ACeS), assim como os recursos humanos dos técnicos responsáveis pela manutenção e otimização dos sistemas informáticos a nível local e regional.
  12. A aposta consequente na criação e capacitação das UCC – num contexto de prestação de cuidados domiciliares com frequência e diferenciação adequada às necessidades

Infelizmente, passados tantos anos, ainda apelamos ao retomar o processo de reforma dos CSP, nomeadamente com a constituição de USF mas apenas quando estejam reunidas as condições para tal (reforma efetiva e não apenas em nome), avançando com o processo de progressão para modelo B, de forma linear e previsível, de modo a garantir a estabilidade, motivação e performance das equipas (vs quebra de confiança nas instituições centrais por não cumprirem a lei, saída de profissionais, predação do privado).

A reforma tem tido uma velocidade de implementação insatisfatória nos últimos 10 dos seus 15 anos (incluindo não progressão de unidades para modelo B em 2 dos últimos 4 anos).

A USF-AN estará sempre disponível para acelerar este processo de melhoria global.

Agradecemos o convite e oportunidade à Fundação para a saúde – SNS, parabenizando o sucesso desta sessão.

Recorde a sessão aqui.

A Direção

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