Vacina contra COVID-19 – Boas e más notícias

A agência europeia do medicamento, emitiu dia 21.12.20 parecer favorável à vacina da Pfizer/BioNTech (BNT162b2) e é expectável que o mesmo aconteça a 28 dezembro com a da Moderna.

Outra boa notícia, Portugal, via União Europeia, assegurou a compra faseada de 22 milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 para toda a população, num plano de vacinação que irá prolongar-se, pelo menos por 18 meses, prevendo-se entrega de 900 mil doses no primeiro trimestre 2021, começando-se assim, a vacinar dia 27.12.20 os profissionais de saúde dos cinco maiores hospitais do país e em início de janeiro os utentes e profissionais dos lares. As várias vacinas têm diferentes características, no modo de conservação e no momento em que serão distribuídas. É certo que a vacina pode ser para todos, mas não o será ao mesmo tempo e terá duas doses, espaçadas de 21 a 28 dias.

Continuamos a ter boas notícias, sobre a vacina da Pfizer/BioNTech aprovada inicialmente em Inglaterra e EUA. Dois ensaios publicados este mês no NEJMO e The Lancet são encorajadores. No ensaio publicado no The Lancet, os autores concluem que a vacina apresenta uma eficácia de 95%. Os 36.523 participantes, indivíduos saudáveis com mais de 16 anos e idosos com doenças crónicas estáveis sem evidência de infeção por SARS-CoV-2 foram divididos em dois grupos. No grupo de intervenção/vacina, 8 contraíram doença e no grupo de controlo (sem vacina) 162 contraíram o COVID-19, ou seja, na prática, necessitamos de vacinar 120 pessoas para evitar um caso de COVID-19.

Quanto ao perfil de segurança é similar a outras vacinas caracterizando-se por dor no local da injeção, fadiga e dor de cabeça ligeira a moderada.

Mas há más noticias. Uma possível vacina contra a malária venceu a 64.ª edição dos Prémios Pfizer 2020, mas não há prazos para a sua comercialização. A malária não é uma doença global, é endémica de certas regiões e segundo a OMS, vai causar este ano mais mortes que a COVID-19. Acreditemos que possa agora ter o impulso que sempre lhe faltou por ser apenas a doença de alguns.

A resposta final é obvia: dinheiro. Foi possível apresentar resultados em tempo recorde para a Vacina COVID-19, porque o seu desenvolvimento teve financiamento público inigualável e sem necessidade de acomodar riscos em caso de insucesso. Estamos perante um feito incrível, facilmente considerado de ficção científica.

A segunda má noticia, é que desconfio que, para certos distraídos, uma vacina, será a cura imediata para esta pandemia. Infelizmente ainda não será. Será sim, a criação de imunidade por determinado tempo.

São bastantes as teorias carregadas de desinformação. É um tema sensível, que requer uma campanha de comunicação simples, bem planeada, fácil de entender e adaptada a toda a população e que passe continuamente na TV, rádio, jornais e redes sociais. A vacina não será obrigatória, o que é uma boa medida, assim como também o é, a opção pela sua universalidade e gratuitidade.

Este plano de vacinação será um enorme desafio para o SNS, durará todo o ano de 2021 e 2022 e exige que estejamos atentos às diversas fases, esperando pacientemente pela nossa vez.

Se nos vacinarmos todos, vamos proteger os que não podem vacinar-se (grávidas, imunodeprimidos, alérgicos) e voltar a acreditar no recomeço da normalidade.

João Rodrigues

in Diário as Beiras

Login

Welcome! Login in to your account

Remember me Lost your password?

Don't have account. Register

Lost Password

Register

Unidades de Saúde Familiar - Associação Nacional