Reinventemo-nos, pelas pessoas.

 “…Exigindo a coragem de reinventarmos o futuro. O ano que hoje começa tem de ser, portanto, o ano dessa reinvenção…. Reinvenção com verdade, humildade, imaginação e consistência.

Extrato da Mensagem de Ano Novo do Presidente da República.

 

REINVENÇÃO terá de ser o lema para os CSP, em geral, e das USF, em particular, enquanto marca de qualidade.

O primeiro passo para a reinvenção é um exercício difícil. Implica, antes de qualquer atitude ou pensamento, colocarmo-nos no lugar do outro, conhecer as suas experiências, os seus estados de alma e compreender as suas razões e motivações.

Ao fazê-lo estaremos a ser empáticos, humildes, mais próximos, a atuar com compaixão e mais centrados em quem precisa de nós.

Ao fazê-lo estaremos a ser mais verdadeiros na análise, na relação interpessoal, na identificação dos problemas, na orientação a dar, no caminho a seguir.

Ao fazê-lo surgir-nos-ão outras hipóteses, veremos por ângulos nunca observados, encontraremos outros caminhos, teremos outras sensações e sentimentos e, tudo isso, estimulará a inovação, a criatividade e a imaginação.

Ao fazê-lo estamos a credibilizar-nos, a garantir aos outros o melhor do que sabemos, a dar consistência à nossa missão.

O outro é o cidadão, o utente, o paciente, o companheiro de trabalho da nossa equipa ou o das outras equipas.

O outro está aqui e ali, próximo de nós, escolheu-nos para cuidar dele e aceitámos. Espera que estejamos lá para o receber, quando ele vem de sorriso largo ou a protestar, quando tem tempo ou está apressado, quando a vida lhe corre bem, ou quando sente o mundo contra ele. Quando está atrasado, irritado ou intolerante espera ainda um pouco mais, espera tolerância, abertura e compreensão.

Espera que lhe expliquemos a sua situação, com palavras e frases que ele entenda, espera que o ensinemos a lidar com ela, que tenhamos em conta as suas expetativas e o seu modo de vida, que aceitemos as suas fragilidades e que as consideremos na gestão da sua doença, que lhe digamos o que fazer quando aparece uma crise ou uma situação aguda mais ou menos banal. Espera que repitamos a informação tantas vezes quantas as necessárias, até que tudo seja claro e apreendido. Espera apoio, conforto e atenção.

Espera que o visitemos quando ele precisa de nós, na sua casa, na casa de um familiar ou no lar onde vive; resida na mesma rua da unidade, na freguesia ou no concelho ao lado ou em qualquer lugar que é mais próximo de nós do que qualquer outra unidade de saúde. Espera proximidade.

Espera que o vejamos como ele é, igual a todos os outros, mas diferente de todos eles, porque não há pessoas iguais.

Reinventemo-nos e reinventemos a nossa unidade, abrindo a porta às pessoas, com verdade, humildade, imaginação e consistência.

Reinventemos também os CSP, olhando para os outros, todos os outros profissionais, de todas as unidades, procurando compreender as suas expetativas de usar e desenvolver os seus saberes, de criarem conhecimento e de o partilharmos, em conjunto, a favor dos cidadãos, dos utentes, dos pacientes e de nós próprios.

Reinventemos um modelo remuneratório justo para todos, que promova a equidade em todas as atividades, funções e profissões, que promova a satisfação profissional na nossa unidade natural, que compense quem se esforça, quem tem melhores resultados, quem cria mais Saúde, quem arrisca, quem se reinventa, quem é verdadeiro, quem é humilde, quem tem imaginação, quem traz consistência ao SNS.

Reinventemo-nos, pelas pessoas… e por nós.

Carlos Alvarenga, Profissional do SNS

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