Mais dinheiro para a Saúde (e não doença)! As Determinantes Sociais matam…

Quando discutimos saúde, costumamos olhar só para o bom ou mau funcionamento dos hospitais. Esse é um erro comum que o poder político e económico vai alimentando, tendo em conta a necessidade de financiar a doença e não de preveni-la. Ainda recentemente pudemos constatar aquando do debate sobre a futura Lei de Bases da Saúde, que se centrou nos cuidados hospitalares e nas idas ao serviço de urgência, e quem deve ou não deter os hospitais em Portugal.

No entanto, a saúde está em muitos aspetos da nossa sociedade, sendo cada vez mais importante, pensar as consequências de todas as políticas e de toda a governação para a saúde da nossa população.

Vejamos as questões relacionadas com o frio e o calor. Dados recentes do Eurostat, dizem-nos que Portugal é o quinto país da União Europeia em que mais pessoas têm dificuldade em manter a habitação confortável durante o inverno.

Em 2003, J. D. Healy publicou um estudo que mostrava que Portugal, apesar de ter o clima de inverno mais moderado entre os países analisados, era o país com maior taxa de excesso de mortalidade no período de inverno – 28% mais mortes no período de inverno, com a média dos países analisados a apresentar apenas um excesso de 16%.

Passado uma década, Fowler et elas, em 2014, chegam a um resultado semelhante: 26%. Quer isto dizer que, apesar das boas condições climáticas, Portugal é um dos países da OCDE onde se passa mais frio dentro de casa. E isso mata!

Tudo isto ligado à fraca qualidade da construção das nossas casas e à incapacidade financeira dos portugueses em suportar o aquecimento das suas casas. Segundo dados do Eurostat, 20% da população portuguesa é incapaz de suportar os encargos com o respetivo aquecimento das suas casas.

Infelizmente, o problema estende-se ao verão. Falando só em ondas de calor, de acordo com um relatório do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge, houve quatro ondas de calor: em 1981, 1991, 2003 e 2013. As estimativas de excesso de mortalidade foram de 1953 óbitos em 2003, de 1900 óbitos em 1981, de 1684 óbitos em 2013 e de 1000 óbitos em 1991.

Como consequência, perdem-se vidas e aumenta-se a despesa do SNS.

Aqui está um problema que todos devemos analisar do ponto de vista de Saúde Pública, devendo apostar e investir na prevenção e nas determinantes sociais da saúde.

Porque não o futuro governo apostar na criação de uma Secretaria de Estado com o pelouro da Prevenção e Determinantes sociais da saúde?

Urge criar condições para uma real interligação do sistema de saúde com a segurança social, o poder local e o terceiro setor, no combate às desigualdades sociais, ao nascer e crescer saudável, à solidão, à melhoria da habitação com um urbanismo amigo do ambiente e das pessoas, à promoção da dieta mediterrânica, ao desporto na escola, condições para a prática de atividade física e prevenção das adições, tabagismo e álcool.

João Rodrigues

Presidente da Direção

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